Talentosos, perfeitos, bonitos, cheirosos, charmosos e modestos:

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Novo cálice

Vinde a mim as criancinhas, vinde a mim os carrapatos, vinde a mim os pombos, vinde a mim os ratos. Não me importo se te prometi arco-íris. Prepara-te para receber um reles chão de cimento. Pouco me assusta o que tu e teu irmão mais velho podem me fazer, pois embora o que eu tenha a oferecer não passe de esmola, há sangue nessa moeda.
Não me entristeço com isso, pois não ofereces perigo. De máximo, comparo-te a um besouro que, apesar da carapaça, não me provoca tremelique algum. Espanto-te com uma vara e deixo estar. Sou maior, sou melhor, tenho uma tiara de brilhantes. Não te considero nada. Senta e ouve o meu discurso imponente! Falo baixo, não grito, sussuro ao seu ouvido.
Não fui eleito, nem aceito, mas apareço com meu peito! Protegido com palavras, domino as mentes fracas. Na ânsia de poder, englobo o globo e imponho meu jogo! Jogo de tabuleiro, valendo a tua vida. Um, dois, três, te domino. Não fuja, volte! É isso ou nada. E no nada te condenam, condenado ao ruim.
Estou aqui pra te tirar o sorriso da cara. Portanto, fique atento. Estou sempre atrás de você. Roubando seus direitos, instituindo-lhe deveres! Jovem, cale-se! Veto, mas sou o cálice.

3 comentários:

Luquez disse...

O calice tem duplo sentido?
A verdade é que no fundo não entendi nada.HAHAHAHA! Mas achei a construção textual bem legal!!

Vanessa disse...

Viva Chico Buarque.

Ana disse...

Viva Chico Buarque. (2)
Acho que é um dos melhores textos que já li daqui, até agora.
Você devia tentar publicá-lo em algum canto.